sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eu... parte 1

Enfim, nem tudo em nossa vida acontece como a gente almeja, nem sempre os acontecimentos em nossas vidas são como nos filmes, nem sempre os finais são felizes. Nesse exato momento o meu sentimento é de vazio, frustração, tristeza. Há uma criança dentro de mim aprisionada por anos e eu não consigo libertá-la, não consigo socorre-la. Durante anos tentei fugir dos acontecimentos do meu passado, tentei esquecer memórias, apagar lembranças perturbadoras que me faziam sofrer. Por muito tempo foi incompreendido por todas as pessoas que me cercavam. Minhas lágrimas não eram entendidas, meu reclusão não era vista como algo anormal.

Por muito tempo me culpei por tudo que havia ocorrido, acreditava que era minha culpa. A imagem que refletia para mim no espelho era de um ser mal, um monstro. E por me achar indigno fiz de tudo para compensar minha "falha", tentei ser o melhor filho, o melhor aluno, o melhor irmão, o melhor amigo, enfim o melhor. Nessa máxima de tentar suprimir os acontecimentos com minha performance eu fui me anulando, me apagando. A cada dia minha que passava eu desmontando minha personalidade na tentativa de construir um outro Hugo. Todo meu esforço em ser outra pessoa, em apagar minhas lembranças me deixou vulnerável as ações dos outros para comigo

Por logos anos eu conduzir minha vida em função a aprovação dos outros a respeito de mim. Na minha agonia interna em compensar o meu "erro" eu não podia falhar nunca, não podia nunca contrariar os que me rodeavam. Minha atuação tinha que ser perfeita. No entanto sou um ser humano e por isso toda vez que falhava eu me sentia um lixo, meu sentimento de indignidade, meu auto-desprezo vinha de forma mais acentuada...